Crucifix cross at sunset background, crucifixion of Jesus Christ

Nesta vida todos os seres humanos passam por aflições, que trazem tristezas. Para constatar isso, basta estar vivo. Contudo, diferente dos ímpios, os cristãos têm motivo para viverem com alegria, não obstante as muitas dores da vida. A primeira epístola de Pedro tem por objetivo encorajar cristãos atribulados a viverem dessa maneira; o que é possível, segundo o apóstolo, por meio da esperança que nos foi dada por Deus.

O presente estudo tem como foco cinco versículos (1 Pe 1.3-7) que resumem o assunto da epístola inteira: A alegria do cristão está em Deus e na esperança do mundo porvir; e não nas circunstâncias do mundo presente.

Existe uma falsa doutrina na igreja dos dias hoje que ensina que Jesus está aqui para resolver todos os nossos problemas e realizar os nossos sonhos. Esse é um discurso atrativo ao coração humano, mas é maligno, pois contraria a Palavra de Deus, que diz: Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a essa vida, nós somos os mais infelizes de todos os homens. 1 Cor 15.19.

Infelizmente, muitas pessoas, no meio cristão, têm se deixado levar por esse engano e, com isso, podem estar se frustrando com o seu “cristianismo”. A promessa do Senhor para os Seus nunca foi livrá-los das muitas circunstâncias adversas que a vida traz; antes, o que Ele faz é conceder-lhes uma viva esperança que produz uma alegria capaz de sobrepujar qualquer tristeza proveniente das intempéries da vida.

Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos. 1 Pedro 1.3

A primeira coisa que devemos trazer à memória em tempos de aflição é a muita misericórdia que temos recebido da parte de Deus. Quão facilmente nos esquecemos disso! A Sua misericórdia é motivo de grande alegria, porque não há sofrimento na terra (por pior que ele seja) que possa ser comparado ao sofrimento no inferno – local para onde todos nós estávamos destinados, por conta do pecado.

O nosso Criador é Justo e abomina o pecado; nós, porém, Suas criaturas, somos pecadores. Se fôssemos todos condenados ao inferno, Deus seria justo; contudo, ao invés de nos condenar, aprouve a Ele, pela Sua misericórdia, regenerar-nos, mesmo tendo isso Lhe custado o sacrifício do Seu Filho na Cruz.

Jesus Cristo viveu sem pecado; mas, voluntariamente, foi traspassado pelas nossas transgressões. Nosso pecado precisa ser castigado, mas o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e, pelos Seus sofrimentos, nós fomos sarados, ou, regenerados (Is 53).

O maior milagre que Deus pode realizar na vida de um homem não é curá-lo de enfermidades físicas, livrá-lo de perigos, ou abençoá-lo com prosperidade financeira aqui na terra; mas é transformá-lo de um pecador, inimigo de Deus, em um filho amado. É essa obra radical de mudança de natureza, promovida por Deus, que concede ao homem uma viva esperança.

Sem essa regeneração todas as esperanças humanas são mortas, pois se limitam apenas a essa vida, que passa como um sopro. Aquele que não nasceu de novo fará de tudo para prolongar a sua vida aqui na terra, buscando torná-la o mais confortável possível, porque, depois daqui, não haverá nada melhor.

Os crentes, por sua vez, foram regenerados para uma viva esperança: Para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros. 1 Pedro 1.4.

Uma vez feitos filhos de Deus, tornamo-nos também Seus herdeiros (Rm 8.17). Todos os pecadores um dia receberão o juízo de Deus; nós, porém, receberemos uma herança.

Essa herança consiste na vida eterna nos novos céus e na nova terra! Vida perfeita, num lugar perfeito, onde Deus mesmo estará conosco e nos enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor (Ap 21.3-4).

O homem, degenerado pelo pecado, degenerou também a criação de Deus, que outrora era perfeita, e a tornou o que ela é hoje: corrupta, maculada e perecível. Deus, então, operando no caminho inverso, fez um novo homem na Cruz de Cristo e, para esse novo homem, Ele está preparando também uma nova criação, que lhe será entregue, não por mérito, mas como herança.

Nossa herança ainda não foi revelada, mas está reservada nos céus. Os filhos dos homens recebem suas heranças quando seus pais vêm a falecer; mas os filhos de Deus, cujo Pai nunca morre, recebem a sua herança quando eles próprios partem daqui. Nossa herança não vem até nós, somos nós que vamos até ela. Esse é o motivo pelo qual a morte para o cristão não é um terror, mas, pelo contrário, uma bem-aventurança (Ap 14.13).

A nossa esperança não é do tipo “a última que morre”; antes, é uma viva esperança, porque nós somos: guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo. 1 Pedro 1.5

Assim como a herança está reservada para os filhos, assim também os filhos são guardados para a herança, pelo poder de Deus. Que segurança nós temos! Ninguém jamais nos arrebatará de Suas mãos (Jo 10.28), nada poderá nos separar do amor de Deus (Rm 8.38) e Aquele que começou a boa obra, certamente há de completá-la (Fp 1.6).

Se você creu no Senhor Jesus como seu Salvador, não há a menor possibilidade de perder a sua salvação e a herança que lhe está prometida. Essa é a nossa esperança e a nossa fonte de alegria.

Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações. 1 Pedro 1.6

A falsa religião propõe como fonte de alegria as bênçãos terrenas que Deus pode oferecer aqui Já no Evangelho, a fonte de alegria é o próprio Deus e a Sua muita misericórdia; o novo nascimento e a viva esperança que ele traz.

A falsa religião prega um deus que está aqui para realizar os sonhos egocêntricos do homem; no Evangelho, porém, temos um Deus que enche de alegria o coração do pecador ao tornar-Se conhecido dele e, por meio da sublimidade desse conhecimento, o homem, agora feito filho de Deus, passa a viver exultando de alegria. É nisso que se alegra o verdadeiro cristão, não obstante as várias provações que lhe sobrevêm (das quais, Deus nunca prometeu isentá-lo).

Aos olhos do mundo, alegria do cristão pode ser incompreensível, pois ele pode estar simultaneamente, senda contristado por problemas e, ainda assim, estar exultando de alegria. Isso acontece por dois motivos:

Primeiramente, porque o cristão sabe que, apesar das aflições serem uma certeza no presente, certamente elas duram apenas um breve tempo. E ainda que venham a durar toda uma vida, elas se reduzem a nada se comparadas à glória do porvir, que será eterna (2 Cor 4.17-18). A esperança desse futuro glorioso altera completamente o modo de vida no presente atribulado. “Apesar de não sermos capazes de nos regozijar ao olhar para as provações ao redor, é possível regozijar-nos ao olharmos adiante”, disse Warren Wiersbe.

Em segundo lugar, o cristão entende que, como Pedro mencionou, as tribulações são necessárias. Cremos num Deus Todo-Poderoso, que está no governo de nossas vidas e faz todas as coisas segundo a Sua vontade soberana. Logo, se passamos por aflições é porque, certamente, Ele as permitiu e tem um bom propósito com isso (Rm 8.28). Para os ímpios, os sofrimentos são uma prévia do juízo de Deus contra o pecado; para os crentes, todavia, eles servem como instrumentos nas mãos do Pai, que trabalha para formar e desenvolver o caráter de Seus filhos.

Portanto, ao permitir que passemos por provações, Deus o faz com um propósito específico: Para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo. 1 Pedro 1.7

“O ouro é o mais valioso, puro, útil e durável de todos os metais; assim é a fé entre as virtudes cristãs”, disse Mathew Henry, no séc. XVII. Da mesma maneira que o ouro se torna mais puro depois de passar pelo calor do crisol, assim a fé precisa passar por provações para que possa ser testada. Em se tratando de uma fé apenas nominal (ou intelectual),ela desaparecerá com as provações; mas, em se tratando da fé que é fruto do novo nascimento, ela será fortalecida e purificada.

As provações não são um castigo de Deus para nós, mas uma maneira que Ele usa para nos ensinar algo que entende ser necessário. Ele nunca nos aflige de bom gosto. Quando Deus permite que seus filhos passem pela fornalha, mantém os olhos no relógio e a mão no termostato. Se nos rebelarmos, Ele reinicia o relógio, mas se nos sujeitarmos, Ele não permite o sofrimento um minuto além do necessário. Warren Wiersbe.

A suma do que vimos, portanto, é que, nessa vida, não podemos evitar o fato de que passaremos por várias provações, mesmo sendo cristãos. O crente livre de problemas é uma utopia fantasiosa e uma doutrina antibíblica. O que a Palavra nos ensina é que, não obstante as muitas aflições que nos sobrevêm, nós temos uma alegria acima de qualquer comparação que nos foi dada de presente quando fomos regenerados por Deus; e, agora, tendo sido transformados de inimigos em Filhos amados, esperamos também por uma herança; uma nova e perfeita criação, na qual teremos gozo, paz e alegria por toda a eternidade.

É nessa viva esperança que nós exultamos, embora, no presente, passemos por provações.

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