Propriedades rurais que fazem parte do programa Balde Cheio, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), tem se tornado modelo de produtividade leiteira em Rondônia. Em uma das propriedades, eram produzidos cerca de 70 litros de leite por dia. Agora, com o Balde Cheio, são cerca de 450 litros.

Os 48 produtores cadastrados no projeto são visitados uma vez por mês por pesquisadores e técnicos. “Essa união de técnico e produtor, essa confiança entre os dois, facilita que o trabalho seja feito de uma maneira sustentável”, explica o técnico do projeto, Marcelo de Castro e Assis.

Na visita mais recente realizada pelos técnicos da Embrapa no Cone Sul, pesquisadores de São Paulo estiveram conhecendo as novidades implantadas pelos produtores de Vilhena (RO). Artur Chinelato, coordenador do projeto Balde Cheio no Brasil diz que o sucesso consiste no desenvolvimento sustentável da pecuária leiteira por meio de transferência de tecnologias e manejo de pasto.

“Você não precisa ter muita terra, mas precisa trabalhar direito nessa terra e fazer com que ela produza. Para isso, se ele for tentar fazer sozinho é muito complicado. Para isso estamos treinando mais técnicos aqui no estado para que mais produtores possam ser atendidos pelo projeto Balde Cheio”, explica Artur.

Vacas leiteiras RO — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Vacas leiteiras RO — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

A terra do Cleidimar Silva Martins, que fica a cerca de 13 quilômetros de Vilhena, foi uma das visitadas pela equipe do projeto. A área dele tem nove vacas produzindo leite diariamente e há oito meses aderiu ao programa, mas o produtor rural confessa que no começa tinha certa desconfiança.

“Rapaz, é um investimento grande, e toda mudança que vai fazer na vida enfrenta um medo de errar e não dar certo. Mas quando você coloca a vaca em um piquete bom, a vaca responde. Hoje não arrependo porque o negócio é bom”, conta.

Em outra propriedade, que pertence ao Carlos Eduardo da Silva, apesar de ser menor que a do Cleidimar, é um sucesso dentro do programa. Ele conta que tira anualmente 24 mil litros de leite por hectare. São produzidos no local 450 litros por dia. Bem mais do que os 70 litros por dia que conseguia quando entrou no programa há seis anos.

“No começo a gente teve bastante dificuldade de implantar o sistema, a atividade leiteira é bem complicada, tem que estar andando tudo certinho”, conta o produtor.

Para chegar a ser um dos produtores modelo, Carlos plantou seis tipos de pastagem: Tiftor, Braqueara, Zuri, Estrela Africana, Mombaça e Azavém, variedades que ajudam a melhorar a alimentação do gado. Um dos segredos para manter a qualidade da pastagem, além do solo, é a irrigação, que nessa propriedade é feita das 21h às 6h. São utilizados cerca de 36 mil litros de água por hora.

“A trajetória é longa, a gente já conseguiu dar um passo, mas a gente ainda tem muito o que melhorar, tem muito o que aprender”, finaliza Carlos.