Alguém me escreveu: você sempre bate na religião. Religião não salva, religião é isto, é aquilo. Você diz que a questão não é ser religioso, mas pertencer ao Evangelho e insiste nisto o tempo todo. O que é então este problema de religião e evangelho? Por que “este samba de uma nota só” e por que isto é tão importante pra você falar nisto sempre?

Bem, precisamos de discernimento. Muitos compram um produto falso porque não sabem qual é o verdadeiro. O Rev. Vance Havner escreveu: “Satanás não está lutando contra as igrejas, mas está tornando-se membro delas. Ele causa mais dano semeando joio do que arrancando trigo. Realiza mais por imitação do que por oposição direta.”

O Evangelho trabalha com a fé no espírito, as religiões com a emoções da alma. A fé gera o trigo na igreja pela Palavra, as emoções, mediante os apelos planta o joio. F. C. White sustentava: “a experiência dos anos obriga-nos a dizer que o apelo às emoções, embora frequentemente aumente os resultados, aumenta o joio em grande proporção.”

Não vejo a menor semelhança entre imitação barata do evangelho e o Evangelho autêntico. Sei que há esse evangelho minúsculo falando dum semideus raquítico apelando para gente que tem que decidir se aceita ou não o convite de um mascate ardiloso. Isto não passa de um simulacro religioso deformante e deformador da verdade do Evangelho.

Tenho o mesmo modo de entender de E. M. Bounds ao dizer que

seria uma imitação burlesca da esperteza do diabo e uma calúnia contra seu caráter e reputação, se ele não empregasse suas maiores influências para adulterar o pregador e a pregação.”

A religião tem a ver com o que nós fazemos para nos tornar dignos da aceitação divina. O Evangelho tem tudo a ver com o que Cristo fez e faz para nos fazer aceitáveis, por meio da graça, diante do Pai. Para tentar salvar o sujeito do pecado, a religião apela para o esforço humano, enquanto o Evangelho o salva apontando para o poder de Cristo na cruz.

As religiões são inumeráveis, porém o Evangelho da graça é único. As religiões se fundamentam no suor do executivo; o Evangelho no sangue do substituto. As religiões são da carne e o Evangelho é do espírito. As religiões exigem desempenho; o Evangelho provê descanso. As religiões premiam o “fiel” no final da missão; o Evangelho aposenta os santos antes do trabalho. As religiões são os homens querendo chegar aos céus por uma escada; o Evangelho é Deus descendo no elevador da encarnação para buscar os caídos, pela graça, e levá-los para Ele. As religiões são negócios frustrantes; o Evangelho é o ócio produtivo.

Não há qualquer afinidade entre as religiões dos homens e o Evangelho de Deus. Se você não sabe diferenciar gato de lebre pode fazer um banquete de carne exótica, mas se não souber perceber a diferenciação entre a religião e o Evangelho, encontra-se na rota de uma catástrofe eterna. É por isso que sou insistente com “este samba de uma nota só”.