Hospital Cosme e Damião alerta para a importância de proteger a crinça contra abuso e violência.

Os números mostram que mais de 70% dos casos de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes são praticados por pais, mães, padrastos ou outros parentes das vítimas.

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O Hospital Infantil Cosme e Damião (HICD), em Porto Velho, atendeu em 2019 88 crianças vítimas de abusos sexuais e 17 casos de agressões físicas, o que chamou a atenção da equipe de profissionais que é referência em atendimento infantil.

“No ano passado, o número de crianças que sofreram violência sexual e doméstica cresceu em relação a 2018. Não queríamos atender esses tipos de situações, mas infelizmente chegam à nossa unidade de saúde crianças vítimas de abusos sexuais e violência doméstica, e temos que estar preparados para acolher essa criança de forma especial. Tomamos todas as providencias que o caso requer, evitamos a exposição, o objetivo é tirar a criança do ambiente, onde há uma certa aglomeração de pessoas, para um local onde ela se sinta confortável, com todos os cuidados necessários”, disse o diretor da unidade, Sergio Pereira.

Sergio Pereira, diretor do HICD.

O Cosme e Damião é referência no Estado em atendimentos de urgência e emergência, e faz parte da rede de enfrentamento à violência doméstica e sexual. Com a determinação da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) foi desenvolvido dentro da unidade um atendimento diferenciado para essas crianças. A equipe de médicos, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, foi treinada para atender tanto a vítima como o familiar ou quem esteja acompanhando. “É um momento de muita fragilidade, por isso a necessidade de termos profissionais qualificados nesses casos”, enfatizou Sergio Pereira.

Os números mostram que mais de 70% dos casos de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes são praticados por pais, mães, padrastos ou outros parentes das vítimas. Em mais de 70% dos registros, a violência foi cometida na casa do abusador ou da vítima.

“Há uma cultura dos maus-tratos no país, e a gente precisa implementar a cultura do cuidado e proteção às crianças e aos adolescentes. Os bons tratos em família”, afirma Sergio Pereira.