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segunda-feira, julho 6, 2020

JESUS E O INTÉRPRETE DA LEI

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E eis que certo homem, intérprete da Lei, se levantou com o intuito de pôr Jesus à prova e disse-lhe: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Lucas 10:25

Jesus comumente fazia o uso de parábolas para ensinar. A Bíblia, em Marcos 4:34a, chega a afirmar que em certos momentos Jesus somente falava por meio delas “e sem parábolas não lhes falava”. São histórias aparentemente simples, com elementos da vida cotidiana, utilizadas para explicar realidades mais complexas ou espirituais.

Porém, ainda que fossem acessíveis a qualquer um, quando contadas -e vale frisar que eram contadas intencionalmente por Jesus – tornavam-se um poço de sabedoria e assim alguns que ouviam, não podiam entender. E, portanto, “tudo, porém, explicava em particular aos seus próprios discípulos.” (Marcos 4:34b) 

Por conta dessa característica, é comum ao cristão abordar textos de parábolas com uma maior atenção às palavras da história em si, do que às palavras que descrevem o que está acontecendo na periferia, o cenário onde o uso da parábola se fez necessário. Jesus é sábio, mais sábio que Salomão, e Ele é prudente, mais prudente que a serpente; e aquele que é sábio e prudente não despreza o contexto e a situação, doutra forma atiraria pérolas aos porcos, se tornaria tolo e sofreria dano indesejado. 

O ministro evangélico John MacArthur, ao pregar anos atrás sobre a parábola em questão, intitulou sua mensagem de “The Most Misunderstood Parable”, a parábola mais incompreendida. Não porque as interpretações mais comuns estejam erradas quando se referem à lição moral apresentada, ou à verdadeira forma de amar o próximo. Mas sim,porque tendem a desconsiderar toda a sabedoria de Jesus em seu encontro com o intérprete da Lei. 

E eis que certo homem, intérprete da Lei, se levantou com o intuito de pôr Jesus à prova e disse-lhe: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?Lucas 10:25. 

A passagem começa descrevendo o tal homem, ele é um intérprete da Lei, ou seja, um judeu especialista na Torah, o que nós conhecemos por pentateuco, os primeiros cinco livros da Bíblia. Ele se levanta para falar com Jesus, e tem um objetivo em mente, ele quer fazer o Senhor tropeçar, ele queria ver o suposto Messias errar onde não poderia errar, na Lei do próprio Deus. Então sua pergunta não vinha de um coração moído pelo Evangelho, mas sim de um coração ainda sólido como pedra. 

Então, Jesus lhe perguntou: Que está escrito na Lei? Como interpretas? A isto ele respondeu: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.Então, Jesus lhe disse: Respondeste corretamente; faze isto e viverás.Lucas 10:26-28. 

Em um primeiro momento a resposta de Jesus pode soar estranha aos ouvidos daqueles que já ouviram a mensagem do Evangelho da Cruz, que sabem que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação do perdido (Rm 1:16), e que esta é apenas pela graça, mediante a fé, como um presente de Deus para que ninguém se glorie (Ef. 2:8). Mas, fato é,essas são as palavras que o Senhor escolheu para o intérprete. Não apenas lhe perguntou o que a Lei dizia, mas também afirmou que se a cumprisse, certamente viveria. 

A resposta do intérprete é uma citação direta de duas passagens do Antigo Testamento, Deuteronômio 6:5: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.”; e Levítico 19:18: “Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR”. E são as mesmas duas passagens que Jesus em Mateus 22:40 faz referência para concluir que “destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. E, mesmo Jesus tendo confirmado a resposta, o homem não poderia ficar satisfeito. Seu objetivo ainda não havia sido alcançado, e uma segunda investida seria necessária. 

Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo? Lucas 10:29. 

A partir dessa pergunta é possível traçar alguns pontos sobre a pessoa do intérprete. Ele não apenas estava testando Jesus enquanto Mestre, mas também revela por sua boca aquilo de que seu coração estava cheio, um profundo desejo de promover autojustiça. Desejo de promover, a partir da sua própria obediência à Lei, frutos de justiça a serem apresentados a Deus. 

Além disso, é nessa segunda investida do intérprete da Lei que as portas se abrem para Jesus trabalhar com o coração e com o entendimento desse homem em relação à sua insuficiência quando posto diante da Lei de Deus. A Lei de Deus tão amada por esse homem está prestes a se tornar a sua própria maldição. Até aqui Jesus cavou a superfície como quecom uma pá de areia infantil, agora usará a parábola como uma perfuratriz. 

Jesus prosseguiu, dizendo: Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e veio a cair em mãos de salteadores, os quais, depois de tudo lhe roubarem e lhe causarem muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o semimorto. Casualmente, descia um sacerdote por aquele mesmo caminho e, vendo-o, passou de largo. Semelhantemente, um levita descia por aquele lugar e, vendo-o, também passou de largo. Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto e, vendo-o, compadeceu-se dele. E, chegando-se, pensou-lhe os ferimentos, aplicando-lhes óleo e vinho; e, colocando-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e tratou dele. No dia seguinte, tirou dois denários e os entregou ao hospedeiro, dizendo: Cuida deste homem, e, se alguma coisa gastares a mais, eu to indenizarei quando voltar. Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores? (Lucas 10:30-36) 

Talvez por aqui um pequeno desvio de percurso seja bem vindo e justificado. A Lei de Deus é boa, e deve ser amada por todo cristão, ponto. Esse problema sequer deveria ser levantado, mas o homem gosta de complicar as coisas. Todo cristão deveria poder erguer sua voz e cantar como o salmista cantou no Salmo 119, “quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia!” (v. 97), e “amo os teus mandamentos mais do que o ouro, mais do que o ouro refinado.” (v. 127). A Lei de Deus não é motivo de vergonha ou contrária à proposta do Evangelho da Graça. Ela não é antievangelhoantigraçaouantifé, e o cristão não deve ser antinomista. A Lei de Deus é boa. 

As palavras de Paulo, em Gálatas 3:10,revelam qual o verdadeiro e grande problema com a Lei de Deus: “Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las.” O problema da Lei não é a Lei, mas o homem e o Pecado. Paulo usa a própria Lei de Deus, citando a passagem Deuteronômio 27:26, para explicar. Você está embaixo da Lei? Então a cumpra, de outra forma ela se tornará a sua maldição, assim como era maldição para o intérprete. Ele, porém, ainda estava cego e não podia ver. 

Retornando agora ao trajeto original, Jesus propõe a parábola. E dois fatos importantes precisam ser mencionados. Primeiro, a parábola, apesar de ilustrativa, apresenta uma situação completamente plausível naquele tempo. Segundo, judeus odiavam samaritanos.Apesar de não haver tempo hábil para aprofundar os motivos de como tudo isso se deu historicamente, esse segundo fato, exposto de forma simplificada e um pouco irônica, esporadicamente é trazido à tona pelas Escrituras e pode ser considerado como verdadeiro para efeito de entendimento dos propósitos de Jesus. Jesus agora encurralou o intérprete de Lei; xeque mate. 

Respondeu-lhe o intérprete da Lei: O que usou de misericórdia para com ele. Então, lhe disse: Vai e procede tu de igual modo. Lucas 10:37. 

O intérprete não tem saída a não ser admitir que o samaritano, aquele considerado seu inimigo, era na verdade o seu próximo. Jesus, no sermão do monte condena a tradiçãodos judeus dizendo: Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem.Mateus5:43-44.Jesus estava informando ao homem o que a Lei de Deus verdadeiramente significava. Não só o intérprete deveria amar um samaritano, mas deveria amá-lo como a si mesmo. 

O intérprete da Lei poderia ter respondido algo como: “Ultraje!”, e rasgado suas vestes. Mas respondeu de forma mansa e em consentimento, ele perdeu seu próprio jogo. Jesus realmente era Mestre. E caso ele decidisse proceder como Jesus o incita ao final, com certeza passaria por grandes aflições e seria novamente nocauteado pelo Senhor. Mas dessa vez, o socorro só poderia vir daquele mesmo que o derrubou, o Cristo. 

Apesar de Jesus reafirmar a Lei por toda a passagem, seu destino final não era uma simples lição de moral sobre como amar o próximo, Jesus queria mostrar ao especialista que sua especialidade se transformaria em sua ruína. O padrão de perfeição da Lei é muito alto para homens pequenos e pecadores. Apenas um homem poderia fazê-lo e o fez. 

Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Mateus 5:17. 

Jesus não revoga a Lei, Ele a cumpre. A Lei faz parte do Evangelho e parte da vida Cristã. Ela revela o pecado dos homens e o único homem que não pecou. Aquele que é o justo, porque cumpriu toda a Lei, é o justificador, porque oferece essa mesma justiça àquele que tem fé, e fé somente. 

Se alguém levantar a pergunta: “Mestre, que farei para herdar a vida eterna?”deve estar preparado para chegar ao fim de si mesmo e depositar sua plena e total confiança em Jesus Cristo. 

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