Eleições nos EUA 2020: Por que disputa entre Trump e Biden está mais acirrada do que o previsto

Disputa está bem apertada, com Trump na frente em vários Estados decisivos, e tanto ele quanto seu rival, o democrata Joe Biden, podem levar a disputa

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Os resultados estão mais próximos do que previam as pesquisas

O fato de os Estados Unidos não terem ainda um vencedor a essa altura da contagem de votos mostra, antes de mais nada, que ela está longe de refletir a clara derrota prevista por oponentes — e sugerida por várias pesquisas de intenção de voto.

Mais do que isso: a disputa está bem apertada, com Trump na frente em vários Estados decisivos, e tanto ele quanto seu rival, o democrata Joe Biden, podem levar a disputa.

O resultado final provavelmente levará horas ou mesmo dias para ser conhecido.

A espera e incerteza contrastam com a vantagem que as pesquisas atribuíram a Biden, de mais de 8% da média nacional e uma vantagem menor em alguns Estados-chave.

Trump permaneceu eleitoralmente competitivo em um contexto que parecia extremamente adverso para ele.

A pandemia de coronavírus matou mais de 232 mil pessoas nos Estados Unidos e mergulhou o país em uma grande recessão econômica.

Então, como se explica isso essa disputa tão acirrada?

Uma estratégia peculiar
Trump não é um presidente muito popular, mas sempre manteve uma base de eleitores leais.

Embora seu índice de aprovação nestes quase quatro anos de mandato nunca tenha passado de 50%, ele não caiu abaixo de 35% nas medições do instituto Gallup, apesar de todas as polêmicas em que foi protagonista.

Seus seguidores são, em sua maioria, conservadores, brancos e religiosos que nutrem amplo desdém pela classe política americana tradicional.

Durante a campanha, o presidente falou quase exclusivamente para esses eleitores a fim de mobilizá-los, atacando duramente seus adversários e apontando Biden como um expoente típico da classe política corrupta.

Só na última semana de campanha, Trump foi a 23 eventos em 10 dos Estados mais importantes na eleição.

Trump mobilizou sua base eleitoral de forma estratégica
Trump mobilizou sua base eleitoral de forma estratégica

Sempre que foi possível, ele lembrou que, antes da crise do coronavírus, os Estados Unidos tinham os menores níveis de desemprego em meio século.

E prometeu voltar a essa situação em um segundo mandato, pressionando pela reabertura da atividade em meio à pandemia.

Trump também tentou semear receio quanto a uma mudança de governo, alertando que uma vitória de Biden seria devastadora porque afundaria a economia com regulamentações e impostos dos “socialistas” ou da “esquerda radical”.

E poucos dias antes das eleições surgiram notícias positivas para o presidente: depois de entrar em recessão no primeiro semestre, a economia americana cresceu a uma taxa recorde de 7,4% entre julho e setembro.

Apesar do vírus e da recessão, a maioria (56%) dos eleitores acredita que estão melhor do que há quatro anos, de acordo com uma pesquisa do Gallup realizada em setembro.

As pesquisas de boca de urna na terça-feira indicaram que os eleitores que desejam a reabertura da economia apoiaram mais Trump, enquanto os mais preocupados com o avanço do coronavírus apoiaram Biden.

Dessa forma, o presidente parece ter pelo menos limitado o custo eleitoral que pagou por sua resposta errática à pandemia.

O presidente venceu novamente em Estados-chave que conquistou em 2016 e que os democratas esperavam tirar dele, como Flórida e Texas.

Com milhões de votos ainda a serem contados, Trump e Biden estão travando uma disputa bastante acirrada em Estados que acabarão decidindo a eleição, como Pensilvânia, Michigan e Wisconsin.

Mesmo que Biden ganhe pelo voto popular nacionalmente, como a democrata Hillary Clinton fez em 2016, e consiga surpreender no Arizona, esta eleição está longe da explosão democrata que muitos esperavam.

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