Trump sondou possibilidade de atacar o Irã, afirma NYT

Alvo da ação militar do governo norte-americano seria instalações nucleares após informações de que o país continua armazenando urânio

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Dois meses antes de deixar o cargo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, perguntou a seus principais assessores sobre a possibilidade de atacar instalações nucleares do Irã, informou o jornal The New York Times, que destacou que seus conselheiros o convenceram a desistir da ideia.

Os altos funcionários “dissuadiram o presidente de seguir adiante com um ataque militar” e alertaram que uma ação desta magnitude poderia virar um conflito maior nas últimas semanas de sua presidência, informou o NYT.

De acordo com a notícia, Trump fez a pergunta depois que um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) revelou que o Irã continua armazenando urânio.

De acordo com a AIEA, as “reservas de urânio de Teerã eram 12 vezes maiores que o permitido pelo acordo nuclear que Trump abandonou em 2018”, três anos depois da assinatura do pacto que tinha o objetivo de frear a capacidade nuclear do Irã.

Segundo o NYT, o alvo mais provável do ataque seria Natanz.

“Podem acontecer tentativas de atacar o Irã, mas pessoalmente não prevejo tal coisa”, declarou nesta terça-feira o porta-voz do governo iraniano, Ali Rabii, em reação à notícia do jornal americano.

“Mas, em qualquer caso, nossa resposta curta sempre foi: qualquer ação contra o povo iraniano receberá uma resposta devastadora”, acrescentou o porta-voz, repetindo uma frase padrão utilizada pelas autoridades civis e militares iranianas.

O Irã foi durante muito tempo o grande foco de Trump. O presidente republicano voltou a impor sanções a Teerã e ampliou as medidas depois que Washington abandonou o acordo nuclear.

Os sócios europeus do acordo lutam para manter o acordo, apesar dos esforços de Trump para acabar com o mesmo, e esperam que a chegada à Casa Branca do democrata Joe Biden mude a abordagem de Washington sobre Teerã.

A administração Trump se comprometeu a intensificar as medidas punitivas, o que alguns críticos veem como uma tentativa de construir um “muro de sanções” que seria difícil para Biden derrubar quando assumir o poder.

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