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segunda-feira, maio 10, 2021

ORTODOXIA E ORTOPRAXIA

Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que está servindo à Igreja de Cencreia, para que a recebais como convém aos santos... Romanos 16:1-2a

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Há uma frase interessante atribuída ao escritor inglês do século XVII Thomas Fuller que diz o seguinte: “Quem não vive segundo o que acredita, não acredita.” Essa frase tem me feito pensar seriamente sobre a necessidade que tenho (como indivíduo) e que temos (como Igreja) de ajustar nossa Ortodoxia e nossa Ortopraxia. Mas, afinal de contas, o que é Ortodoxia e Ortopraxia?

Comecemos definindo os termos. A expressão “Ortodoxia” se refere à maneira correta de se crer. É a sã doutrina ou o ensino adequado. Ortopraxia se refere à maneira correta de proceder. É a conduta correta.

A incoerência entre o que se professa e o que se vive, sempre foi uma das principais marcas da sociedade sem Deus, porém, nesses tempos do fim, esse descompasso tem sido cada vez mais frequente também nos ambientes religiosos e motivo de grandes escândalos e infâmias ao nome de Deus.

Considerando a grande necessidade que temos de, como indivíduos e como comunidade, viver uma vida prática que glorifique Àquele que, pela Graça, nos salvou, não mediante as obras para que ninguém se glorie, mas para as boas obras de antemão preparadas por Deus para que andássemos nelas, pretendo hoje, em nome do Senhor Jesus, tratar um pouco sobre a vida prática normal da igreja.

Em quase todas as suas epístolas, o apóstolo Paulo se utiliza de um esquema expositivo em que, primeiramente é apresentado o conteúdo doutrinário (ordodoxia) e, por fim, são apresentadas as práticas baseadas no conteúdo doutrinário (ortopraxia). É exatamente isso que acontece, por exemplo, na carta de Paulo aos Romanos. O apóstolo se utiliza dos 11 primeiros capítulos apresentando o mais profundo conteúdo de ensinamentos provenientes do próprio Deus acerca da obra de Cristo em favor do homem perdido.

Paulo começa a carta expondo a total condenação dos homens sem Deus, tanto gentios como judeus, conforme Romanos 3:23 Pois todos pecaram e destituídos estão da Glória de Deus. Na sequência do livro, ele apresenta a solução de Deus para o pecador perdido. E que solução é essa? A inclusão do pecador na morte e a ressurreição de Jesus. Mais adiante, Paulo demonstra através da história de Abraão, que Deus sempre agiu por sua graça e misericórdia e que, desde os tempos antigos, “o Justo viverá pela fé”, conforme Romanos 4:3 Pois, que se diz a Escritura? Abraão creu em Deus e isto lhe foi imputado para justiça.

No decorrer do livro, Paulo vai reafirmando a salvação pela Graça mediante a fé e falando sobre a libertação do poder do pecado, sobre a luta da carne contra o Espírito, e sobre a segurança da salvação do crente, sobre a soberania de Deus na eleição e sobre o trato de Deus para com Israel; termina o capítulo 11, com um cântico de louvor a Deus pela sublimidade de sua sabedoria e Glória. Romanos 11:33-36 Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Por que quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?

Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém. Até aqui tudo é a mais pura e sublime ortodoxia.

A partir do capítulo 12, Paulo começa a introduzir a sessão prática da epístola. Chegou a hora da ortopraxia. Aqui Paulo exorta e ensina que, a medida que apresentamos nossas vidas em consagração ao Senhor, a influência e a formatação do mundo em nossas mentes dá lugar a uma nova qualidade de vida a partir de uma renovação mental operada pelo próprio Deus.

Na sequência, de forma pastoral, o apóstolo inicia uma série de orientações de como deve ser o proceder normal de um regenerado em relação a si mesmo, em relação à Igreja, em relação ao próximo, em relação aos inimigos, em relação ao Estado e em relação aos mais fracos na fé.

Nós fizemos um passeio panorâmico por Romanos para chegar justamente a este ponto: Romanos capítulo 16. Não seria possível falar de Romanos 16 sem fazer essa introdução e é aqui que, de fato, se inicia o estudo de hoje.

O capítulo 16 de Romanos pode ser dividido em 3 partes. Do verso 1 ao 16, é apresentada uma lista de pessoas que Paulo faz questão de honrar; nos versos 17 a 20, Paulo fala sobre pessoas que deveriam ser evitadas e, dos versos 21 a 27, são as considerações finais da carta. Vamos nos concentrar hoje na primeira parte.

Do verso 1 ao 16, é apresentada uma lista de pessoas que, com suas vidas, podem nos ensinar muito sobre ortopraxia. São pessoas que recebem uma singela homenagem de Paulo: cita por nome (demonstrando conhecimento e afinidade) e faz referência a alguma contribuição ao Reino que essas pessoas haviam feito. Você tem dificuldade em elogiar e em ser elogiado?

O elogio é um reconhecimento sincero e justo de algo bom que alguém tenha feito. O nosso Senhor elogiou a fé do centurião de Cafarnaum! Mateus 8:10 Jesus, ouvindo isto, admirou-se e disse aos que o acompanhavam: Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel achei tamanha fé. O Apóstolo Paulo disse que aprendeu a ser honrado. Não estamos falando de bajulação, onde há interesses escusos. Estamos falando de uma palavra sincera de reconhecimento, de um estímulo e de encorajamento! Vamos falar um pouco sobre algumas dessas pessoas citadas no texto.

1. Febe: Romanos 16:1-2 Recomendo-vos, pois, Febe, nossa irmã, a qual serve na igreja que está em Cencreia. Febe era, provavelmente, uma mulher de muitas posses e que, segundo o texto, servia à Igreja de Cencreia, região metropolitana de Corinto. Paulo não a chama de frequentadora ou simplesmente de membro da igreja. Paulo diz que ela estava servindo à Igreja. Nós não fomos chamados para esquentar banco de igreja, mas para servir. Também era uma patrocinadora do ministério de Paulo, assim como de outros irmãos. Era uma pessoa que colocava seus bens, seu tempo e sua energia a serviço do reino, uma mantenedora. Uma pessoa que contribuía com liberalidade para que a Palavra de Deus pudesse chegar ao maior número possível de pessoas! E não apenas isso! A irmã Febe foi a pessoa que levou pessoalmente, de Corinto à Roma, a epístola de Paulo aos Romanos;

2. Priscila e Áquila: Romanos 16:3-5 Saudai a Priscila e a Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus. Priscila e Áquila eram cooperadores de Paulo. Eles o conheceram em Corinto quando, por meio de um decreto do Imperador Claudio, foram expulsos de Roma por serem judeus. Quando o decreto do imperador foi revogado, retornaram a Roma e abriram sua casa para que fosse um local de reunião da Igreja, um ponto de pregação do Evangelho. Não apenas colocavam a mão na obra, mas também abriam suas casas para as reuniões da Igreja! A Igreja começou nas casas, com pessoas que abriam mão de sua privacidade para receberem outros irmãos, abençoando assim outras pessoas com a hospitalidade. Febe praticava a liberalidade, Priscila e Áquila praticavam a hospitalidade. Não apenas isso! Colocavam em risco suas próprias vidas, para que o Evangelho pudesse avançar;

3. Urbano: Romanos 16:9 Saudai a Urbano, nosso cooperador em Cristo. Quase nada se sabe a respeito de Urbano, mas aqui ele é citado como um cooperador de Paulo em Cristo. Cooperador é alguém que opera juntamente. O serviço cristão é efetuado de forma cooperativa. Não se trata de algo que se faz sozinho. Uma outra característica do irmão Urbano diz respeito a sua classe social. O nome “Urbano” era muito comum em escravos ou filhos de escravos, o que indica que, possivelmente, ele provinha de uma classe social mais humilde. É muito precioso que nessa lista apareçam nomes de pessoas ricas e poderosas, como Febe e Erasto (uma espécie de prefeito da cidade), juntamente com o nome de Urbano, um irmão sem recursos financeiros. Na vida normal da Igreja, há espaço para todos servirem e serem servidos, independente de classes sociais, mas isso não se tornará uma prática, em nosso meio sem quebrantamento e sem a submissão mútua de todos os irmãos.

Há na lista de Romanos 16, homens e mulheres, ricos e pobres, judeus e gentios, e isso indica que, na Igreja de Cristo, não há espaço para machismo ou feminismo, racismo ou classismo. Cada um, com sua contribuição, ilustra aspectos da ortopraxia, ou seja, da vida normal da Igreja.

Há ainda muito ensino nesses versos finais da Carta de Paulo aos Romanos, mas por hoje vamos nos ater a esses que foram relacionados e, para encerrar gostaria ainda de destacar um último aspecto prático da vida normal da Igreja: afetuosidade. Romanos 16:16. Saudai-vos uns aos outros com santo ósculo. Paulo não recomendou o ósculo santo sem razão! Nossos corações precisam ser aquecidos pela Palavra de Deus e também pelo afeto uns dos outros!

Que o Espírito Santo de Deus nos desperte para esses simples, porém importantes aspectos da vida normal da Igreja e nos dê a coragem e o desprendimento de termos a liberalidade de Febe, a hospitalidade de Priscila e Áquila, a disposição para a cooperação de Urbano e a afetuosidade genuína dos crentes, deveriam ser conhecidos justamente pelo amor que têm uns pelos outros. Fundamentados na Ortodoxia sim, mas não sem a Ortopraxia, para a Glória de Deus e pelo avanço do evangelho! Amém!

Márcio Fróis

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